As micronovelas de frutas geradas por Inteligência Artificial aparentam ser inofensivas, com linguagem simples, estética colorida, personagens frutas humanizadas, narrativa rápida, que por si só geram curiosidade e captam atenção do público mais jovem. No entanto, muitas das publicações abordam temas polêmicos, inapropriados a crianças e adolescentes, como: sexualização, violência doméstica, traição, entre outros conteúdos.
Já se sabe que o algoritmo costuma entregar o que desperta mais curiosidade ao público. Quando conteúdos desse tipo geram retenção, comentários e compartilhamentos, o algoritmo tende a ampliar sua distribuição. Assim, os criadores percebem que, para manter alcance e relevância, vale tensionar ainda mais os limites do aceitável, criando conteúdos mais apelativos.
Em conformidade com a Lei nº 15.211/2025 (ECA Digital) e o Decreto nº 12.880/2026, as plataformas de redes sociais que veiculem conteúdo inadequado para crianças e adolescentes devem implementar mecanismos que garantam a proteção desse público. Tais mecanismos incluem, alternativamente, a criação de uma versão segregada da plataforma destinada exclusivamente a crianças e adolescentes, ou a exigência de um processo robusto de verificação de idade para acesso ao conteúdo restrito.
Vale ressaltar que, as plataformas possuem responsabilidade compartilhada na proteção on-line e o algorítimo não deve recomendar ou sugerir este tipo de conteúdo indiscriminadamente. Se a trend trata de sexualização explícita, erotização ou narrativas materialmente impróprias, o debate deixa de ser apenas de “mau gosto” e passa a envolver deveres concretos de restrição de acesso.
Além disso, surgem outros pontos relevantes, como a engenharia de engajamento baseada no formato viciante e o conteúdo que se apresenta com códigos visuais de infância, mas entrega uma substância incompatível com a infância e desafia a moderação e verificação etária.
Não obstante a entrada em vigor do ECA Digital, que impõe às plataformas a obrigatoriedade de implementar mecanismos de verificação de idade e de restringir a rolagem infinita, observa-se que conteúdos como as “novelas de frutas” geradas por inteligência artificial conseguem transpor os filtros algorítmicos. Tal fenômeno ocorre devido à sua estética visualmente segura e infantilizada, que não aciona os critérios de restrição estabelecidos pela legislação.
Constata-se uma lacuna significativa, tanto nas plataformas digitais quanto na legislação vigente, no que concerne à eficácia dos sistemas de moderação algorítmica. Tais sistemas deveriam garantir a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital, prevenindo a ampla divulgação de conteúdos nocivos disfarçados sob uma aparência inofensiva. Nesse contexto, torna-se imperativo que os pais ou responsáveis acompanhem ativamente o consumo de conteúdo digital por seus filhos, empregando os meios de supervisão parental disponíveis e adequados.
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